Geração distribuída – Entenda tudo sobre este sistema

Geração distribuída – Entenda tudo sobre este sistema

A geração distribuída refere-se a energia produzida em pontos diferentes por meio de sistemas geradores que ficam perto ou dentro da unidade consumidora ligadas a rede de eletricidade pública. 

Esse método de distribuição é diferente do método tradicional, adotado pelas grandes distribuidoras, que é a geração centralizada, onde as usinas geram energia e transmitem para os consumidores por meio de linhas e redes de transmissão.

O método de geração distribuída é adotado não só no Brasil, como também em outros países, como Japão, Alemanha e Estados Unidos. Quer saber um pouco mais sobre esta tecnologia e conferir suas vantagens? Continue lendo este post.

A geração distribuída e a Aneel

A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) foi o órgão responsável por estabelecer a Resolução Normativa nº 482 que aborda sobre a geração de energia pelo consumidor. A norma começou a vigorar em 2012.

Segundo a Aneel, estamos nos referindo a instalação de pequenas fontes de energia renováveis, sejam elas solar, eólica, hídrica, biomassa e cogeração qualificada, na unidade consumidora, quando falamos de geração distribuída. E a energia que o consumidor gera é descontada de sua conta de luz. 

Existem duas formas de distribuir a energia, sendo elas, microgeração distribuída e minigeração distribuída. Além dessas, temos ainda a geração em condomínios. Entenda a diferença entre cada uma delas.

A microgeração é quando a potência da central geradora de energia não ultrapassa 75 kW, já na minigeração, a central geradora pode ultrapassar essa carga ou ser menor ou igual a 5mW. E outra maneira é a distribuição em condomínios, onde a energia é repartida entre os condôminos.

Uma curiosidade que ninguém sabe é que a Agência ainda normatiza casos de consórcio ou de cooperativas, onde diversos consumidores se unem para implantar a geração distribuída. Assim temos uma compensação do valor gasto nas faturas e na instalação.

Vantagens da Geração Distribuída

A geração distribuída (GD) traz diversas vantagens, dentre elas os menores impactos ambientais e a redução de custos. Confira estas e outras vantagens:

  • Uma das vantagens mais benéficas da geração distribuída é a sustentabilidade. Essa modalidade permite reduzir os impactos ambientais provenientes da construção de reservatórios e de linhas que transmitem energia;
  • Outra vantagem, que influencia beneficamente no meio ambiente, é o fato do sistema aproveitar de recursos já disponíveis, como por exemplo, os renováveis que causam pouco ou nenhum prejuízo ao meio ambiente;
  • A geração distribuída poupa a emissão de toneladas de CO2 na atmosfera;
  • A modalidade também possui um custo menor, o que favorece tanto consumidores quanto distribuidoras de energia;
  • Os investimentos nas redes de distribuição são menores;
  • Há menos burocracia envolvida para instalar a geração distribuída, o que deixa o processo bem mais ágil;
  • Diminuição nas quedas de energia, uma vez que quando o sistema não consegue atender a demanda, o excedente gerado por outras GD’s suprem onde há falha no sistema;
  • Os microgrids, ou seja, os sistemas que possuem um ou mais fontes para geração de energia distribuída conseguem trabalhar de forma independente em paralelo com a principal rede elétrica, além de proporcionar estabilidade, bastante útil em casos de intempéries ou riscos de blackouts.

Geração distribuída no Brasil

Segundo dados divulgados pela Aneel, o sistema de geração distribuída no país ultrapassou 1 gigawatt de potência implantada em mini e microgeração de distribuição de energia elétrica. Para gerar essas duas fontes de energia, os consumidores aderiram, primeiramente à energia solar fotovoltaica, e depois às hidrelétricas.

Minas Gerais, Rio Grande do Sul e São Paulo foram os estados onde os consumidores aderiram à geração distribuída em maior escala. De acordo com os dados divulgados pela Agência, cerca de 83 mil usinas geram energia no Brasil e aproximadamente 114 mil unidades recebem os créditos pela energia que foi gerada.

O Brasil conta com um programa para estudar a geração distribuída de energia, intitulado ProGD. Entenda um pouco mais sobre esse projeto a seguir. 

ProGD

O Programa de Desenvolvimento da Geração Distribuída de Energia Elétrica, ou ProGD foi criado pelo Ministério de Minas e Energia (MME) em 2015, no então governo Dilma. O projeto tinha como objetivo ampliar e incentivar a implantação de geração distribuída em locais como edifícios públicos, comerciais, industriais e residências.

Naquele ano, o Ministério de Minas e Energia, à Aneel, a Empresa de Pesquisa Energética (EPE), o Centro de Pesquisas de Energia Elétrica (Cepel) e a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica se reuniram em um grupo de trabalho para discutir ações para promover a geração distribuída. 

Cinco temas principais, financiamento, comércio de energia elétrica, inserção da GD em edifícios públicos e impactos de regulação e técnicos foram debatidos durante o estudo. Além disso, os valores para investimentos em fontes renováveis de geração distribuída foram pautados no projeto. 

Os Valores Anuais de Referência Específica também foram definidos pelo grupo de trabalho. A energia solar teria a importância de R$ 454,00 por MWh e o gás natural de R$ 329,00 MWh. Estes valores referem-se ao preço que a distribuidora de energia pagaria ao consumidor que entregasse sua energia. 

Outro ponto também delimitado pelo projeto foram as medidas adotadas para facilitar a comercialização da energia gerada no mercado. O Ministério de Minas e Energia e o Ministério da Educação também tinham como objetivo trabalhar para instalar os sistemas de geração distribuída em universidades, escolas técnicas e até hospitais federais.

Resultados finais do ProGD

Em fevereiro de 2019, o MME divulgou o relatório final do projeto, onde apresentou algumas conclusões sobre o ProGD. Dentre elas, o estudo conclui que o financiamento é um dos grandes desafios para implantar a geração distribuída, uma vez que os bancos precisam compreender melhor esse sistema para então fornecer recursos para financiar projetos. 

Outro ponto abordado é a economia brasileira, que pode alavancar, devido a adesão do sistema. Além disso, a geração distribuída influencia na criação de empregos em diferentes áreas.

Na Alemanha, na década de 90, três projetos consolidaram o país como a grande referência quando se trata de geração de energia fotovoltaica. Nos Estados Unidos, programas e incentivos do governo federal contribuíram também para a consolidação da geração distribuída.

Geração distribuída no mundo

O sistema de geração distribuída tem conquistado adeptos não só no Brasil, como também em outros países do mundo. Japão, Alemanha e Estados Unidos também já adotaram essa prática devido a seu custo benefício e os menores prejuízos ao meio ambiente.

No Japão, 457 milhões de dólares foram investidos no Programa 70.000 telhados solares em 1994, e após algumas ações, como subsídios para o financiamento de energia solar, houve aumento de 15 megawatt em 1993 para 127 mw em 2001. 

Agora, que compreendeu como funciona o sistema de geração distribuída, comente abaixo o que achou desse novo método de distribuição de energia. Ah, e não se esqueça de compartilhar nosso conteúdo nas redes sociais!

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